Não estamos sozinhos

Empolgados com um mundo cheio de riscos, mas também de oportunidades, pensamos no novo ano com uma esperança de realizações e prosperidade, ou como diz a música "muito dinheiro no bolso, saúde para dar e ender..." Mas, enquanto pensamos nos nossos mais ousados empreendimentos, enfrentamos o paradoxo de - nestes dias de dezembro - comemorar a vinda de um Rei que optou por chegar entre os pobres, numa estrebaria sem nome, numa manjedoura sem luxos, num lugar emprestado e impróprio.

O Talmud nos ensina que rico é aquele que está satisfeito com o que tem. Como disse um amigo, Alberto Moszkowicz, "termos uma família querida e um lar sólido para nos acolher, saúde para buscarmos sustento e ainda nos permitir ajudar ao próximo, e a consciência de sermos limitados e crermos numa força onipotente acima de nós é a maior fortuna que podemos almejar."

Aprender a matéria e fazer provas não é nada comparado com aprender a dominar nossos medos e fraquezas; sermos capazes de "vencer" uma prova ou uma banca examinadora chega a ser tolice diante do dilema de lembrarmos sempre que somos pequenos, frágeis, toscos e que a vida é "um vapor que aparece por um pouco e logo se desvanece".

Que antes, durante, enquanto e após os concursos é urgente ser feliz, fazer o bem, estar bem e ajudar alguém. Passar em uma prova pode ser fantástico e muito lucrativo sob vários aspectos, mas a abertura de novos espaços profissionais não é tão auspiciosa quanto abrirmos nosso peito à nossa natureza humana e afetiva, quanto lançarmos a nós mesmos no coração de pais, filhos, cônjuge, amigos. E, igualmente, sermos tão transparentes e confiáveis quanto se espera da água que iremos beber.

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